Crítica: “Franz” acerta na direção, mas falha no ritmo

O filme “Franz”, dirigido por Agnieszka Holland, estreou nos cinemas brasileiros. A obra busca apresentar ao público a história de um dos autores tchecos mais influentes do século XX. A trama mostra a vida de Franz Kafka, desde a infância em Praga no século XIX até sua morte em Viena, após a Primeira Guerra Mundial.
O longa foge do modelo tradicional das cinebiografias. A narrativa é mais sensorial do que cronológica. Em vez de contar a vida do protagonista do começo ao fim, o filme prefere explorar suas memórias, sentimentos e a forma como ele enxergava o mundo. A montagem faz com que a história seja construída aos poucos.
Ao longo da narrativa, o espectador acompanha diferentes fases da vida de Franz. Esses momentos não aparecem em ordem cronológica. O roteiro mistura acontecimentos importantes de diferentes épocas, fazendo com que a história funcione como a memória humana: um conjunto de lembranças que surgem sem seguir uma sequência lógica.
Um dos aspectos mais interessantes do filme é a maneira como passado e presente convivem na mesma narrativa. Em diversos momentos, a versão adulta do protagonista divide espaço com cenas de sua infância. Em outras sequências, o filme leva o espectador ao presente, quando visitantes caminham pelo museu dedicado à história de Franz.
A direção usa a câmera de forma criativa. Os movimentos de zoom in e zoom out aparecem com frequência, aproximando o espectador de detalhes importantes ou ampliando a visão de determinadas cenas. A diretora também utiliza movimentos de câmera pouco convencionais, fugindo dos enquadramentos tradicionais.
O trabalho visual também chama a atenção. O filme brinca com texturas, sobreposição de imagens e a alternância entre cenas em preto e branco e em cores. Esses elementos ajudam a diferenciar lembranças, sentimentos e momentos da narrativa.
O filme pode ser lento e cansativo em alguns momentos, até mesmo confuso. Se peca um pouco no roteiro, a obra ganha destaque na maneira como a diretora escolheu fazer as imagens. Uma boa sacada foi introduzir personagens que quebram a quarta parede e conversam diretamente com o público, contando a história do protagonista.
O longa é uma coprodução entre República Tcheca, Polônia, Alemanha e França, de 2025, com duração de 127 minutos. O roteiro é de Marek Epstein. O elenco inclui Idan Weiss, Peter Kurth, Katharina Stark, Sebastian Schwarz e Daniel Dongres. A produção é de Sarka Cimbalova e Agnieszka Holland. A direção fotográfica é de Tomasz Naumiuk. A classificação indicativa é de 16 anos. A distribuição brasileira é feita pela A2 Filmes.