Dia D: Spielberg revisita ideias antigas sem a mesma grandeza

O novo filme de Steven Spielberg, "Dia D" (Disclosure Day), marca o retorno do diretor ao tema dos extraterrestres, mas o resultado fica aquém das grandes obras que marcaram sua carreira. A produção, que estreia em meio à repercussão de um suposto caso de OVNIs no Brasil, entrega uma experiência visualmente competente, porém sem o impacto emocional de clássicos como "Contatos Imediatos do Terceiro Grau" e "E.T. – O Extraterrestre".
A trama acompanha Daniel Kellner (Josh O’Connor), funcionário da Wardex, uma organização que esconde provas da existência de vida alienígena. Ao decidir revelar a verdade, ele se torna alvo de perseguição. Em paralelo, Margaret Fairchild (Emily Blunt), uma meteorologista, desenvolve habilidades mentais ligadas a fenômenos extraterrestres. O roteiro, no entanto, opta por um thriller de conspiração e deixa de explorar os aspectos mais fascinantes da premissa, resultando em uma história que parece conter um filme melhor dentro de si.
A direção de Spielberg é tecnicamente sólida, com cenas de ação bem construídas e uma narrativa fluida. Algumas perseguições lembram o senso de aventura de "Indiana Jones", e os efeitos visuais impressionam, especialmente em salas IMAX. Contudo, falta o encantamento e a emoção que caracterizam os melhores trabalhos do diretor. O roteiro de David Koepp, baseado em uma ideia de Spielberg, é apontado como o ponto fraco, repleto de teorias da conspiração já vistas em outras produções e uma lógica interna que exige boa vontade do espectador.
Emily Blunt se destaca como a personagem mais interessante, trazendo energia e carisma às cenas. Josh O’Connor cumpre o papel de protagonista, mas seu personagem carece de profundidade. Colman Domingo entrega presença em cena, enquanto Colin Firth, como o vilão, fica preso a diálogos expositivos. O resultado é um blockbuster bem produzido, visualmente bonito, mas emocionalmente vazio.
Para fãs de Spielberg e de ficção científica, "Dia D" pode valer a pena, desde que as expectativas sejam controladas. O filme é uma produção competente e ocasionalmente divertida, mas não alcança a grandiosidade e o fascínio de obras anteriores do diretor. A sensação ao final é de uma oportunidade desperdiçada: um filme agradável, mas que dificilmente deixará marcas na história do cinema.