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Hades: o verdadeiro senhor do Submundo na mitologia grega

Por Todos Somos Geek · · 3 min de leitura
Hades: o verdadeiro senhor do Submundo na mitologia grega
Crédito: Reprodução

Com a estreia de "A Odisseia" nos cinemas, a mitologia grega voltou ao centro das discussões. A jornada de Odisseu é marcada por encontros com monstros, deuses e criaturas lendárias. Um dos momentos mais fascinantes da epopeia de Homero é sua visita ao Submundo, o que levanta uma dúvida comum: afinal, quem é Hades?

Ao contrário do que muitas adaptações do cinema e dos games fizeram o público acreditar, Hades não é o equivalente grego do Diabo. Na verdade, ele é um dos deuses mais importantes do Olimpo e desempenha um papel essencial na manutenção da ordem do mundo.

Hades era filho dos titãs Cronos e Reia e irmão de Zeus, Poseidon, Hera, Deméter e Héstia. Após derrotarem os Titãs, os três irmãos dividiram o universo por sorteio. Zeus ficou com os céus, Poseidon passou a governar os mares e Hades tornou-se o soberano do Submundo.

Embora seu domínio fosse associado à morte, isso não fazia dele um deus maligno. Sua função era garantir que as almas chegassem ao destino correto e que ninguém escapasse do ciclo natural da vida. Diferentemente de Zeus, que constantemente interferia nos assuntos humanos, Hades raramente deixava seu reino e quase nunca participava das disputas do Olimpo.

A associação entre Hades e Satanás surgiu séculos depois, principalmente pela influência da tradição cristã. Para os gregos, porém, Hades não era o senhor do mal nem castigava pessoas por prazer. Ele era visto como um governante severo, imparcial e incorruptível. Era temido não por ser cruel, mas porque representava a inevitabilidade da morte.

O Submundo era um vasto reino localizado nas profundezas da Terra. Para alcançá-lo, as almas precisavam atravessar rios misteriosos conduzidas por Caronte, o barqueiro que exigia uma moeda como pagamento pela travessia. Na entrada do reino estava Cérbero, o cão de três cabeças encarregado de impedir que os mortos escapassem e que os vivos invadissem o mundo dos mortos. Cinco rios percorriam o Submundo: Estige, ligado aos juramentos; Aqueronte, o rio da dor; Lete, cujas águas faziam as almas esquecerem a vida anterior; Flegetonte, formado por fogo; e Cócito, o rio das lamentações.

Ao contrário da ideia moderna de céu e inferno, o Submundo possuía diferentes regiões. Os Campos Elísios eram reservados aos grandes heróis e às pessoas virtuosas. Os Campos de Asfódelos recebiam a maioria das almas, que levavam uma existência tranquila. Já o Tártaro era destinado aos piores criminosos e inimigos dos deuses.

Uma das histórias mais famosas envolve Hades e Perséfone, filha de Deméter. Segundo o mito, Hades recebeu de Zeus a permissão para tomar Perséfone como esposa e a levou para o Submundo. Desesperada, Deméter fez a Terra deixar de produzir alimentos. Para resolver o conflito, Zeus determinou que Perséfone passaria parte do ano com sua mãe e outra parte ao lado de Hades, explicando o ciclo das estações.

Pouquíssimos mortais conseguiram entrar no reino dos mortos e voltar vivos. Orfeu desceu ao Submundo para tentar recuperar sua amada Eurídice. Hércules capturou Cérbero sem matar o animal. Odisseu chegou aos limites do Submundo para obter conselhos do adivinho Tirésias. Já Teseu tentou sequestrar Perséfone e acabou preso no Submundo.

Entre os objetos associados ao deus estão o Elmo da Invisibilidade e o bidente. Também eram símbolos de Hades o cipreste, os narcisos e as riquezas subterrâneas. Por isso, além de governante dos mortos, Hades também é o deus das riquezas escondidas sob a Terra. Os gregos frequentemente o chamavam de Plouton, palavra ligada à riqueza.

Ao longo das últimas décadas, o cinema e os videogames transformaram Hades em um grande vilão. Em animações como Hércules, da Disney, ele aparece como um deus sarcástico e sedento por poder. A mitologia original, porém, apresenta um personagem mais complexo. Hades não desejava conquistar o Olimpo nem destruir a humanidade. Seu papel era manter o equilíbrio entre a vida e a morte.

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