Matrix sem Wachowski: novo filme tem chance?

A notícia de um novo capítulo de Matrix deveria ser motivo de pura empolgação, mas vem acompanhada de uma reviravolta nos bastidores. O quinto filme da franquia será desenvolvido sem o envolvimento criativo das irmãs Wachowski na direção, algo inédito na história da saga. Para muitos fãs, a mudança representa o fim de uma era e levanta dúvidas sobre o futuro de uma das maiores referências da ficção científica.
Lançado em 1999, Matrix foi inspirado em obras seminais do cyberpunk, como o livro de Philip K. Dick que deu origem a Blade Runner e o clássico Neuromancer, de William Gibson. O filme se tornou um sucesso estrondoso, com mais de US$ 460 milhões arrecadados, aclamação da crítica e um impacto duradouro no gênero, redefinindo o cinema de ação para as décadas seguintes. As continuações Matrix Reloaded e Matrix Revolutions, ambas de 2003, foram bem nas bilheterias, mas, para parte da crítica, não recapturaram a magia do original, pecando por uma mitologia complexa demais. Já em 2021, Matrix Resurrections reviveu a franquia trazendo de volta Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss, ao lado de novos nomes, com recepção dividida.
Desde a origem da série, as irmãs Wachowski sempre foram a espinha dorsal criativa de Matrix. Em Matrix Resurrections, Lana Wachowski assinou sozinha a direção, ao lado do romancista David Mitchell no roteiro. Agora, porém, a condução do quinto filme ficará nas mãos de outro nome: trata-se de Drew Goddard, diretor de O Segredo da Cabana e roteirista de Perdido em Marte. Até o momento, ele tem sido discreto sobre detalhes da trama, sem confirmar se a história envolverá os personagens originais. Goddard iniciou a carreira escrevendo para a clássica série Buffy, a Caça-Vampiros, e é apontado por muitos como uma escolha competente para o projeto.
O próprio Matrix Resurrections já funcionou como uma reflexão sobre a cultura dos revivals, satirizando a obsessão de Hollywood por refazer e ressuscitar franquias. Por isso, há quem argumente que não existe um caminho novo e original para a saga seguir depois disso. Por um lado, uma nova sequência autoconsciente poderia soar repetitiva e dispensável. Por outro, um reboot completo, que abandonasse a história original, correria o risco de parecer desconexo e derivativo. Em uma época em que séries como Fundação e Duna: A Profecia exploram tramas mais ambiciosas, a TV talvez seja hoje o melhor lugar para a ficção científica mais densa.
O grande desafio é que um novo Matrix precisaria ser ao mesmo tempo uma parábola filosófica inteligente, como o original, e um blockbuster capaz de agradar ao grande público. Equilibrar essas duas ambições nunca foi fácil, e nem mesmo Matrix Resurrections, que ainda contava com uma das criadoras, conseguiu acertar totalmente esse tom. Por isso, a aposta mais segura para Goddard seria uma sequência direta, em vez de um reboot. Reinventar toda a mitologia levaria a comparações inevitáveis e desfavoráveis com o filme de 1999. Já expandir a história existente permitiria resgatar personagens e elementos queridos, fazendo o novo longa parecer parte do mesmo universo.
É importante destacar que a discussão divide opiniões. Alguns fãs acreditam que um olhar externo pode trazer ideias frescas e revitalizar a franquia para uma nova geração. Outros defendem que a visão das criadoras originais era justamente o que tornava Matrix tão revolucionário, e que seguir sem elas arrisca diluir o legado da saga. Vale lembrar que, segundo alguns veículos, Lana Wachowski seguiria ligada ao projeto na função de produtora executiva.
Por enquanto, nada está confirmado sobre elenco ou enredo, e o roteiro ainda está em fase de escrita, sem data de estreia definida. Keanu Reeves já declarou no passado que toparia voltar como Neo caso fosse convidado por Lana. O futuro de Matrix 5 permanece um mistério, mas uma coisa é certa: a franquia entra em um território completamente novo. Os quatro filmes anteriores seguem disponíveis em serviços de streaming e locação digital.