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Crítica | ‘BuenosAires’ e o Nordeste que sonha

Por Todos Somos Geek · · 2 min de leitura
Crítica | ‘BuenosAires’ e o Nordeste que sonha
Cena de ‘BuenosAires’ de Tuca Siqueira // Crédito: Divulgação / Arthouse Distribuidora

O documentário "BuenosAires", dirigido por Tuca Siqueira, estreia nos cinemas brasileiros em 11 de junho. O filme explora a cidade pernambucana de Buenos Aires, localizada na Zona da Mata, que possui uma curiosa relação com a capital argentina. Com pouco mais de 10 mil habitantes, o município é apresentado por meio dos relatos de seus moradores, destacando a paixão pelo futebol e pela cultura popular como elementos centrais de sua identidade.

Gravado durante a Copa do Mundo de 2022, o documentário é conduzido pelos depoimentos dos moradores e aproxima o público do espírito coletivo da cidade. O município parece, em alguns aspectos, distante da realidade do restante do Brasil, mas mantém uma conexão simbólica e afetiva com o país vizinho. As peculiaridades vão além do nome: os times de futebol homenageiam grandes clubes da América Latina, e o tradicional bairro Caminito ganhou uma versão brasileira. Essa relação cria um conflito na identidade local, que reverencia a Argentina sem abandonar suas raízes nacionais.

Quando o assunto é futebol, as opiniões se dividem. Alguns moradores se recusam a torcer pela Seleção Brasileira e acompanham apenas os atletas argentinos. Em contrapartida, no carnaval, a identidade brasileira fala mais alto. Pernambuco possui uma forte tradição carnavalesca, e Buenos Aires não foge à regra. Os moradores preservam costumes como fantasias, desfiles e fanfarras. É impressionante perceber como uma comunidade imersa na cultura portenha consegue manter vivas tantas características brasileiras.

O que torna o filme especial é a sensação transmitida pelas imagens. A cidade existe à sua própria maneira, sem seguir padrões ou tentar se encaixar em expectativas externas. Ela vive em seu próprio ritmo e constrói uma identidade singular a partir de suas contradições. O documentário interessa a quem gosta de compreender as múltiplas identidades que formam o país. Em algum momento, todo brasileiro encontrará algo familiar nessa história.

A construção narrativa permite que o público descubra a cidade aos poucos. Os depoimentos e as imagens se complementam e montam, peça por peça, o quebra-cabeça dessa comunidade peculiar que, por vezes, parece saída de uma fábula. O documentário tem 70 minutos de duração e é uma produção da Garimpo Filmes, com distribuição da Arthouse Distribuidora. A direção e o roteiro são de Tuca Siqueira, com produção executiva de Rayssa Costa e Rita Leers de Vilhena.

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