Crítica: ‘Nós Acreditamos em Vocês’ expõe burocracia contra vítimas

O filme "Nós Acreditamos em Vocês", dirigido por Charlotte Devillers e Arnaud Dufeys, aborda a burocracia judicial enfrentada por vítimas de violência sexual. A produção belga, premiada na Berlinale 2025, acompanha Alice Piron (Myriem Akheddiou) em uma audiência na vara de família para decidir a guarda dos filhos, após ela denunciar o ex-marido por abusar sexualmente do filho do casal.
A história começa com Alice e seu filho Etienne (Ulysse Goffin) em um momento de descontrole da criança. No tribunal, a tensão é evidente. O menino e sua irmã, Lila (Adèle Pinckaers), não querem ver o pai. Etienne tem uma crise e sai correndo pelo tribunal. A audiência revela que esta é a terceira vez que a família passa por um processo judicial. Dois anos antes, houve o divórcio e acordos de guarda compartilhada. Depois, um processo criminal contra o pai, no qual Alice o acusa de abusar sexualmente do filho, causando sequelas como incontinência.
O filme não questiona se o crime ocorreu. O foco é mostrar como a burocracia revitimiza aqueles que deveriam ser protegidos. A defesa do pai tenta descredibilizar a mãe, enquanto Alice se mantém firme em proteger os filhos. Ela admite seu descontrole, mas afirma que esperava da justiça o apoio que nunca teve. A atuação de Myriem Akheddiou é destacada como visceral e emocionante.
Charlotte Devillers, que já atuou como enfermeira e lidou com vítimas de abuso, faz sua estreia na direção e no roteiro de um longa. O filme levanta a questão: "quantas vezes é preciso traumatizar a vítima até que comprovem que ela diz a verdade?". Após receber Menção Especial de Melhor Primeiro Longa-Metragem na Berlinale 2025 e participar do Festival do Rio, "Nós Acreditamos em Vocês" chegou aos cinemas brasileiros em 2 de julho de 2026.
O drama belga, com 78 minutos, tem roteiro e direção de Charlotte Devillers e Arnaud Dufeys. O elenco inclui Myriem Akheddiou, Laurent Capelluto, Natali Broods, Ulysse Goffin, Adèle Pinckaers, Alisa Laub, Marion de Nanteuil e Mounir Bennaoum. A produção é de Arnaud Ponthière e Arnaud Dufeys, com fotografia de Pépin Struye e música de Lolita Del Pino. O filme foi exibido no Festival do Rio e recebeu 89% de aprovação da crítica.